Quando o tatame deixa de ser seguro, todo o esporte falha
O jiu-jitsu amanheceu mais pesado. Não por uma derrota, não por um título perdido, mas porque denúncias graves escancararam uma ferida que muitos insistem em ignorar: o desrespeito e a violência contra mulheres dentro do esporte.
A atleta Alexa Herse, integrante da equipe Atos Jiu-Jitsu, tornou público em suas redes sociais um relato no qual afirma ter sido vítima de abusos e importunação sexual ao longo dos últimos seis meses. Segundo a atleta, os fatos teriam ocorrido em um contexto de relação aluno–professor. Alexa informou ainda que as denúncias já foram formalizadas junto às autoridades policiais e judiciais do Estado da Califórnia, colaborando com as investigações conduzidas em San Diego.
Diante da repercussão, marcas e organizações começaram a se posicionar. A Kingz Kimonosanunciou a suspensão do patrocínio ao atleta envolvido, destacando que não tolera qualquer forma de assédio e que prioriza um ambiente ético, seguro e respeitoso no jiu-jitsu. Já a Checkmat, por meio de seu conselho de liderança, comunicou a suspensão total de afiliação de um ex-integrante enquanto um processo civil segue em andamento, reforçando seu compromisso institucional com a segurança e o profissionalismo no esporte.
Mais do que nomes ou cargos, o que está em jogo é o significado do tatame. Um espaço que deveria formar caráter, disciplina e confiança jamais pode ser palco de medo, coerção ou abuso. Violência não é falha momentânea, não é fraqueza humana e muito menos algo justificável por traumas, vícios ou poder. É escolha. E escolhas têm consequências.
O silêncio também é uma forma de violência. Quando a comunidade prefere proteger reputações em vez de pessoas, ela contribui para que abusos se repitam. Não existe honra marcial onde há opressão. Não existe respeito quando a dor do outro é ignorada.
O Esporte Total Esp se posiciona de maneira firme: não compactuamos com nenhuma forma de desrespeito às mulheres, dentro ou fora dos tatames. Mulheres merecem segurança, voz, acolhimento e respeito absoluto. O esporte só evolui quando a dignidade humana vem antes de títulos, fama ou hierarquia.
Às mulheres que carregam histórias difíceis, muitas vezes em silêncio: vocês não estão sozinhas. Falar exige coragem. Sobreviver exige ainda mais.
Que o jiu-jitsu volte a ser o que sempre prometeu ser um lugar de força que protege, de disciplina que educa e de respeito que não se negocia.

