Crédito: Elsson Campos
No último sábado (19/04), a cidade de Maricá foi palco de um momento marcante para o esporte e para a valorização cultural: uma partida histórica realizada no Estádio Municipal João Saldanha reuniu uma equipe formada exclusivamente por atletas indígenas em celebração ao Dia Nacional dos Povos Originários.
O confronto simbólico colocou frente a frente o CERES/EC Originários e o Combinado 19 de Abril, em um evento que foi além das quatro linhas. A iniciativa destacou temas como resistência, representatividade e inclusão, reunindo atletas, lideranças indígenas e moradores em uma grande celebração da cultura e da identidade dos povos originários.
O pontapé inicial ficou por conta do ex-jogador Donizete Pantera, reforçando o caráter especial da ocasião. Dentro de campo, o destaque foi o protagonismo do CERES/EC Originários, equipe sediada no município e formada integralmente por atletas indígenas de diferentes etnias. O time se prepara para disputar o Campeonato Carioca, consolidando um projeto inédito no futebol estadual e nacional.
Mais do que uma partida, o evento representou um marco histórico. O EC Originários reúne jogadores de 15 etnias diferentes, sendo cerca de 30% do elenco composto por atletas da própria cidade. A iniciativa, construída em parceria com o CERES, visa disputar a Série C do Campeonato Carioca e ampliar oportunidades para jovens indígenas no esporte profissional.
Durante a programação, lideranças destacaram a importância do projeto. Para Tupã Darcy Nunes, presidente do clube e representante da Aldeia Mata Verde Bonita, a data simboliza séculos de luta e resistência, mas também aponta para avanços importantes. Já Anderson Terra, do Instituto Terra do Saber, ressaltou o impacto do projeto ao abrir caminhos antes inimagináveis para jovens das aldeias.
A proposta vai além do futebol. O projeto busca transformar o esporte em uma ferramenta de inclusão social, fortalecimento cultural e geração de oportunidades, com planos de expansão para novas categorias e maior alcance nos próximos anos.
A partida histórica em Maricá reforça como o esporte pode ser um instrumento poderoso de transformação social, dando visibilidade, voz e protagonismo aos povos originários dentro e fora dos campos.




