O futebol fluminense ganhou um capítulo inédito neste fim de semana. Representando a cidade de Maricá, o Ceres/EC Originários entrou em campo pela primeira vez na Série C do Campeonato Cariocae já marcou seu nome na história com uma vitória por 2 a 0 sobre o Barcelona, em partida disputada na Rua Bariri.
Mais do que os três pontos, o resultado simboliza um avanço importante dentro e fora das quatro linhas. O EC Originários é a primeira equipe do Brasil formada integralmente por atletas indígenas a disputar uma competição oficial. A iniciativa, apoiada pela Prefeitura de Maricá em parceria com o Ceres, busca dar visibilidade, protagonismo e espaço aos povos originários por meio do esporte.
O elenco reúne jogadores de mais de 14 etnias indígenas, entre elas Xekriabá, Pataxó, Guarani, Tupinikim, Kamaiurá e Terena. Aproximadamente 30% dos atletas são do próprio município, fortalecendo também a identidade local do projeto. Com um grupo majoritariamente sub-23 seguindo o regulamento da competição, o time é composto por jovens talentos vindos de diferentes regiões do país, muitos após longas viagens até Maricá.
Dentro de campo, o desempenho chamou atenção logo na estreia. Organizado e competitivo, o Originários controlou a partida e construiu o placar de 2 a 0 com autoridade, largando bem no Grupo B. Fora dele, a equipe também se destaca por levar sua cultura para o jogo: os atletas entram em campo com pinturas corporais tradicionais, reforçando a identidade indígena e promovendo um importante resgate cultural no cenário esportivo.
A Série C do Carioca de 2026 apresenta um novo formato. Divididos em dois grupos, os clubes se enfrentam em sistema de cruzamento na Taça Waldir Amaral. Os quatro melhores avançam às quartas de final, disputadas em jogos de ida e volta. As semifinais seguem o mesmo modelo, enquanto a decisão será em partida única. Ao final da competição, os quatro primeiros colocados garantem acesso à Série B2 estadual.
Com estreia vitoriosa e uma proposta que vai além do futebol, o Ceres/EC Originários surge como uma das histórias mais marcantes da competição, unindo desempenho esportivo e representatividade cultural em um projeto pioneiro no país.