Foto: Ícone Sport
O ano de 2025 parecia ter selado um estranho e incômodo destino para os lutadores brasileiros no UFC. Sempre que o Brasil ocupava o centro do octógono em uma luta principal, o desfecho era o mesmo: derrota. A sequência negativa começou de forma dramática logo em janeiro, quando Renato Moicano aceitou, com apenas um dia de antecedência, o desafio contra Islam Makhachev pelo cinturão dos leves e acabou finalizado ainda no primeiro round. A partir dali, nascia o que fãs e analistas passaram a chamar de “maldição da luta principal”.
O roteiro se repetiu de maneira quase cruel. Foram oito main events consecutivos perdidos por brasileiros até julho, incluindo três disputas de cinturão, muitas delas com atletas amplamente favoritos. Derrotas que chocaram o público, como a de Alex “Poatan” Pereira para Magomed Ankalaev no UFC 313, em março, e a queda de Carlos Prates diante de Ian Machado Garry, em abril. Em junho, veio talvez o golpe mais doloroso: Charles “do Bronx” Oliveira, um dos maiores nomes da história do evento, foi nocauteado por Ilia Topuria no primeiro round, no UFC 317.
Nem mesmo outros nomes de peso escaparam. Diego Lopes, Deiveson Figueiredo e Tallison Teixeira, todos vistos como apostas seguras, acabaram superados em lutas principais, alimentando a sensação de que algo fora do comum rondava os brasileiros quando o holofote estava no máximo. A preocupação tomou conta dos fãs, e a teoria da “maldição” ganhou força.
Mas, como toda boa narrativa esportiva, a virada veio quando menos se esperava. Em agosto, já sem grandes expectativas, Johnny Walker que vinha de três lutas sem vitória e entrava como azarão surpreendeu o mundo ao nocautear Zhang Mingyang no segundo round de uma Fight Night disputada na China. O triunfo não foi apenas individual: ele simbolizou o fim do trauma coletivo.
A partir dali, o Brasil voltou a respirar aliviado. Mesmo com a derrota pontual de Caio Borralho para Nassourdine Imavov, os principais protagonistas trataram de colocar as coisas nos trilhos. Poatan deu o troco em Ankalaev, recuperou o cinturão dos meio-pesados e reafirmou seu status de estrela global. Charles do Bronx se reergueu diante da torcida no Rio de Janeiro, finalizou Mateusz Gamrot e agora mira o cinturão BMF em março. Diego Lopes, por sua vez, nocauteou o então invicto Jean Silva e garantiu nova disputa de título contra Alexander Volkanovski, marcada para janeiro.
O cenário, que parecia sombrio, voltou ao normal ou talvez até melhor do que antes. A “maldição” foi quebrada, os cinturões voltaram a circular em mãos brasileiras e a confiança foi restaurada. Resta agora a pergunta que move torcedores e especialistas: depois de sobreviver a um dos anos mais estranhos da história recente do UFC, o Brasil conseguirá manter o protagonismo e brilhar de vez em 2026? O octógono dará a resposta.
